MINAS NO CENTRO DA GUERRA

MINAS NO CENTRO DA GUERRA

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A votação majoritária de Dilma Rousseff em Minas (39,6% contra 36,2% de Aécio Neves), e a eleição de Fernando Pimentel em primeiro turno (53% dos votos) para o governo do estado controlado há 12 anos pelo PSDB serão o maior trunfo do PT na disputa com o tucano no segundo turno. Ainda na noite de domingo, nasceu no Palácio do Alvorada um dos slogans que, segundo fontes da campanha de Dilma, será usado intensamente na campanha: “Quem conhece Aécio vota em Dilma”.

A dupla derrota em Minas abre um flanco no discurso do candidato tucano, que apontava a grande aprovação a seu governo no estado como prova de sua competência para administrar e mudar o Brasil. Foi uma grande derrota para quem prometia “fazer barba, cabelo e bigode” – elegendo Pimenta governador, Anastasia senador e obter quatro milhões de votos a mais que Dilma no estado”.

A derrota pode ter causas objetivas, já reconhecidas pelos tucanos. Aécio impôs Pimenta da Veiga como candidato, subestimando o fato de e ele estar fora do estado há muitos anos.  Para tornar-se mais conhecido nacionalmente, ocupou-se com as viagens a outros estados e descuidou da própria campanha em Minas, apostando que os votos viriam por gravidade. No final, voltou-se para Minas, conseguiu impulsionar Pimenta mas era tarde. O resultado, de todo modo, permitirá ao PT que se o governo dele tivesse sido tão bom, os mineiros teriam elegido seu candidato a governador e dado a ele, e não a Dilma, a maioria dos votos para presidente.   Em verdade, os mineiros mais uma vez deram uma no cravo outra na ferradura. Assim como em 2002, 2006 e 2010 deram a vitória local aos tucanos e a vitória nacional ao PT, desta vez elegeram o senador tucano por ampla maioria mas votaram majoritariamente no PT para governador e presidente.

MINAS NO CENTRO DA GUERRA

A eleição de Pimentel foi a vitória mais importante obtida pelo PT no primeiro turno por várias razões: proporcionou a Dilma seu maior trunfo, garantiu ao partido o governo estadual mais importante em toda a sua história e derrotou Aécio em seu feudo. Pimentel liderou desde o início a disputa mas nunca foi um candidato especialmente incensado por Lula e a cúpula do partido. Pelo contrário, ele sempre despertou desconfianças por conta do bom relacionamento que teve com Aécio, tendo se elegido prefeito de Belo Horizonte numa rara aliança local PT-PSDB, desfeita em 2012.  No meio da campanha, quando ele liderava e Dilma ainda estava atrás de Aécio no estado, o alto comando dilmista fez gestões poara que ele passasse a colar mais sua campanha à dela, o que foi feito e deu resultados. Dilma é muito devedora do aliado, amigo e ex-companheiro de militância na resistência à ditadura.

A batalha de Minas será um capítulo importante na guerra do segundo turno e dará ao PT seu discurso mais ressonante. A de São Paulo, que praticamente garantiu o desempenho de Aécio para além do previsto pelas pesquisas, é praticamente perdida para o PT, que tratará de manter e ampliar sua grande fortificação no Nordeste.